Periodismo y Pensamiento


Produção cultural em três tempos
Tomado de Jornal Diário do Nordeste, Fortaleza, Ceará, Brasil
Muita gente nem imagina o tanto que a produção cultural mudou no Brasil nos últimos 20 anos. Saímos da operação com telex e fax para a comunicação por e-mail e celular. O LP, a fita k-7 e o walkman cederam lugar ao CD (que ainda resiste) e aos tocadores de mp3. Nessas duas décadas surgiram as leis de incentivo à cultura, as políticas de editais, a valorização do marketing cultural e a criação de órgãos públicos e privados para dar vencimento ao crescimento da demanda.
O panorama dessas transformações está bem sintetizado na edição comemorativa de 20 anos do "Guia brasileiro de produção cultural 2013 - 2014" (OLIVIERI, Cristiane e NATALE, Edson. Edições Sesc-SP, 2013), lançado na quinta-feira passada (23), na nova, diversificada e agradável livraria Martins Fontes, da avenida Paulista, em São Paulo. Na condição de um dos entrevistados da edição, estive presente ao lançamento e pude constatar o crescente interesse de artistas, produtores culturais e gestores de cultura por essa publicação que se tornou referência para o setor no Brasil.
A publicação traz um amplo quadro da produção brasileira em três tempos: 20 anos atrás, hoje e daqui a 20 anos. No prefácio do guia, o diretor do Sesc São Paulo, Danilo Miranda, levando em consideração o aumento da percepção da necessidade de vínculos entre cultura e educação, destaca a importância de que se pensem políticas e projetos de produção e acessos culturais, não somente como oportunidade de realização de algo vantajoso, elitista ou populista, mas também com "foco na demanda, mediante a formação de públicos da cultura" (p. 9).
O guia, que está em sua sétima edição, foi criado pelo músico e gestor cultural Edson Natale, que desde 2004 passou a contar com a parceria da advogada Cristiane Olivieri, especialista em gestão de processos comunicacionais e culturais. Juntos, eles organizam na publicação informações e análises relativas a planejamento, administração, questões jurídicas, direitos autorais, projetos, financiamentos e instituições culturais da cadeia socioeconômica da cultura. Nos nove capítulos e nas páginas amarelas da edição atual, além de tratar de todas essas instâncias, eles expõem pontos de vista e relatos de experiências de entrevistados.
O processo de produção cultural e do entretenimento é revolvido em vários campos. Quando o tema é planejamento, está lá o editor e antropólogo Felipe Lindoso (p.41). Se o assunto é economia criativa, falam a economista Ana Carla Fonseca (p.55) e a produtora Fernanda Feitosa (p.61). Sobre projetos e financiamento, a entrevista é com o ex-jogador Raí (p.207), da Fundação Gol de Letra, que atua na interface da educação, cultura e esporte. Lucimara Letelier (p.137), diretora de artes do Consulado Britânico, e Célia Cruz (p.143), especialista em captação de recursos para organizações da sociedade civil, acrescentam dados referentes a instituições culturais. A mim, coube falar de comunicação (p.223), extensiva a diversos aspectos da minha experiência de "cidadania orgânica".
O livro traz ainda um apêndice intitulado "Guia +20" (p. 293), com entrevistas e depoimentos relativos à situação cultural brasileira e com expectativas para os próximos vinte anos. A diretora teatral mineira Regina Bertola, do grupo Ponto de Partida, resume bem a questão dessa travessia pelo potencial da multirregionalidade e da cooperação: “Temos de aprender a conhecer nossa produção cultural nas dimensões continentais que ela tem e com a diversidade com que se configura (...) Temos de construir uma relação de parceria, não de concorrência” (p. 353).
O empresário paulistano Bazinho Ferraz, da XYZ Live, delineia as margens dos três tempos abordados no guia. Olhando para trás, lembra que há 20 anos, quando o Brasil ainda vivia seu processo de abertura política, “apenas a televisão brasileira estava mais alinhada às novas tecnologias” (p.300), e, olhando para frente, antecipa que, nos próximos 20 anos, o grande gargalo da produção cultural será a educação da nova classe média de consumo, para que passe a ser mais exigente, “tornando a bilheteria proveniente desse público a grande fomentadora de novas ideias” (p.302).
O debate é bom e a nova edição do “Guia brasileiro de produção cultural” está bem animada de opiniões. Enquanto Bazinho Ferraz assegura que “O Brasil nunca esteve em momento melhor” (p.301), a dramaturga baiana Aninha Franco afirma que “O Brasil não está em boa fase para a produção cultural” (p.300). Para ela, enquanto um produtor cultural de 20 anos atrás acreditava em seu produto, hoje, “ele só acredita nas verbas dos editais e na curadoria dos festivais” (idem). A produtora teatral paulista Fernanda Signorini endossa esse pensamento: “Hoje em dia somos praticamente escravizados pela captação de recursos (...) isso devido a vários distúrbios no mercado, desde supervalorização dos serviços e materiais pagos via leis de incentivo, até falta de formação de novas plateias” (p.316).
Sobre o tempo presente, o radialista e produtor gaúcho, Fernando Rosa, louva a democratização da produção musical com o advento da internet e “a quebra do paradigma do ser artista, que deixa para trás a busca do estrelato e procura estruturar-se de acordo com sua realidade e expectativas” (p.318). Segundo ele, que vive em Brasília, onde edita a revista virtual “Senhor F”, o que pode ter se perdido nas últimas décadas talvez seja “um pouco de qualidade estética, artística, compensada pela quantidade da produção” (idem).
Em que pese à luta para a produção de projetos para editais, nota-se claramente uma preocupação de alguns entrevistados com o esmorecimento da ousadia no país. Ao comparar o antes com o agora, o curador e diretor artístico carioca Marcello Dantas, da Magnetoscópio, recorda que “havia um espírito mais empreendedor e pronto a correr riscos que hoje, de certa forma, não tem mais. Todos fazem projetos como se fossem encomendas, com cliente e incentivo fiscal” (p.330). O compositor e cantor paulistano Maurício Pereira reforça: “Vejo pouca gente do ramo se dispondo a correr riscos (...) tenho a sensação de ver em todo canto despachantes especialistas em achar o acesso a dinheiros públicos, em achar (e vender) os mapas das minas. Parece que ter um bom projeto ficou mais importante que ter uma boa canção, uma bela peça, um grande filme” (p.332).
A produtora catarinense Eveline Orth entende que “O business ainda é que manda no mercado artístico brasileiro” (p. 315). E a atriz mineira Bete Coelho completa: “Hoje, o Brasil está em excelente momento para a produção de entretenimento, porque é mais rentável, mais consumível e mais palatável. Já em relação à produção cultural, contudo, estamos vivendo um período de estagnação e sem perspectivas” (p.303). De Salvador, o compositor e cantor Peri alerta: “A tecnologia foi a salvação, mas é também o perigo. Ela também cria disfarces e mentiras” (p. 348).
Bom, esses são alguns trechos de um debate que está no ar. O produtor pernambucano Paulo André, criador e diretor do Abril Pro Rock, está, assim como eu, convencido de que “Há uma nova música brasileira sendo produzida, como nunca, mas ignorada” (p. 342). Faço minhas também as palavras de Danilo Miranda: “O volume maior de eventos artísticos aprofundou a necessidade de criar ações educativas de mediação com os conteúdos apresentados, como forma de ampliar os públicos e incentivar as práticas culturais (...) Disponibilizar ao público maior diversidade de opções (...) conteúdo cultural de qualidade dentro de um processo de educação permanente” (306 e 398).


Antonio Pardo García, periodista
Toda una vida en la radio
Con más de 50 años de experiencia, “el rey del lead” hace ‘Una apuesta por el periodismo’ con su nuevo libro.
Tomado de Elespectador.com
Antonio Pardo García aborda, entre otras temas, la suplantación y superficialidad que hay hoy en el ejercicio periodístico./ Andrés Torres
¿De dónde surge la idea de escribir ‘Una apuesta por el periodismo’?
Comencé a escribir un texto que titulé Los hombres de la radio y me robaron el computador donde tenía todo escrito. Entonces mi esposa me dijo: “Vuelve a escribirlo, no te desanimes”. Fue cuando pensé que el periodismo en general (radio, prensa, televisión) tiene muchos vacíos y que, a través de mi experiencia, podía aportar y esbozar algunas ideas.
¿Cómo fueron sus inicios en el periodismo?
Fueron épocas maravillosas. Primero trabajé en una agencia internacional, AP, cuando tenía 16 años, luego en periódicos —El País, Diario de Colombia, Diario La Paz, La República—. En el año 56 empecé a trabajar en la radio, hasta hace poco. Más de 50 años en este medio.
Ha vivido la historia de la radio en Colombia, ¿cómo ve el panorama hoy?
Vi nacer el nuevo periodismo en los primeros años de la década de los años 50. En esa época se fusionaron el reportero y el redactor. La radio ha tenido una enorme y bellísima evolución. Los cambios han sido brutales. En general el periodismo ha caído en grandes dificultades, como la improvisación, y cuando ésta está presente hay superficialidad e irresponsabilidad. Así, la expresión final de la comunicación sufre un gran deterioro.
¿Qué papel juegan en ese sentido las facultades de periodismo?
La formación juega un papel trascendental en este proceso. Fui docente por muchos años y traté siempre de resaltar la importancia de la academia en el futuro del periodismo. Hay muchas fallas que se hacen evidentes cuando el joven llega a un medio. No sabe qué hacer, es un lenguaje ajeno a él.
Usted habla de la ‘suplantación’, ¿a qué se refiere?
Hoy en día hay mucha gente que no es periodista y está suplantando al profesional. El periodista de información y el de entretenimiento, tienen que ser profesionales. Uno encuentra que aquella radio que se hacía por ejemplo en 6 a.m. 9 a.m. con Yamid, Alfonso Castellano, Julio Nieto Bernal —que partió la historia de la radio—, ya no se hace hoy. Tenemos mucha superficialidad, que de hecho está permeando la radio seria.
¿Quién debería ser veedor en la comunicación para que esta situación no se salga de control?
Es complicada la situación. El gobierno no quiere intervenir y ojalá no lo haga, pues se pone en juego la libertad de prensa. Y algunas empresas tienen errores en el manejo de personal. Contratan muchachos que no son periodistas. También sucede que en las empresas no hay capacitación, no se auspicia al profesional para que se actualice con las herramientas y nuevas formas de comunicar.
Una crónica o historia que recuerde especialmente…
Hay muchas. Sin embargo, recuerdo ahora un programa muy lindo que fundé y se llamó La patrulla Caracol. Consistía en buscar personas que tuvieran algo que contar. Hice una entrevista en una cárcel a una muchacha de 22 años que se había casado 12 veces, pero la gracia no era esa, sino que se había casado como hombre. Ella era fornida, grande. Se casaba como hombre, pero era mujer.
¿Y cómo llegó a esa historia?
Yo era muy inquieto. Me iba a los juzgados y hurgaba historias en los casos que se publicaban allí. Buscando la historia de otra mujer, me topé con la de esa muchacha. Empecé a investigar y tuvo tanto éxito esa crónica que la pasé durante tres días y también me valió un Caracol de Oro.
¿Qué opina de la incursión en el periodismo de las nuevas herramientas de comunicación de hoy?
Hoy en día la radio tiene un gran enemigo que se llama internet. Pero no porque sea un enemigo malo, sino porque es un reto difícil de asumir. Los periodistas colombianos no hemos entendido eso. Me parece importante hacer un llamado a las nuevas generaciones y a las anteriores, para que encaren ese reto de una manera responsable.
¿Cómo no perder la calidad con la inmediatez?
La inmediatez es un enemigo muy grande. En el libro digo que la noticia se ha desmejorado por ese factor. Hay quienes dicen que la noticia hay que hacerla fría, con el rigor de los hechos. A mí me parece que la noticia debe hacerse con el encanto de la palabra bonita. No soy poeta, quisiera ser poeta; no soy escritor, quisiera serlo; pero sí venero las palabras bonitas.

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